“Também não venha me dizer que minha tristeza é insana, não sabes a tempestade que está aqui dentro e eu tendo que fingir dia ensolarado aqui fora. Só não diga que vai passar, porque já estou esperando “passar” à muito tempo, à anos. Muitos anos. Eu sei que parece besteira, para você, pode até ser. Mas só eu sei como isso corta o coração. Só eu sei, como é sorrir e depois chorar no travesseiro. Só eu sei das minhas marcas, meus cortes, minhas cicatrizes. Só eu sei. Só não diga, também, que o tempo cura tudo. O tempo não cura nada. Esse desgraçado só abre ainda mais as feridas, e aperta ainda mais o coração -cheio de saudade. Então por favor, não diga que sabe o que eu estou passando, ou que entende minha dor, ninguém entende. Ninguém. Cada dor, é outra dor. Cada dor é diferente. Você pode até ter passado pelas mesmas coisas que eu, mas cada um sente da sua forma pessoal. Se quer mesmo me ver melhor, só me deixe sozinha. Minhas músicas escolhidas sabem me consolar como ninguém. Se quiser mesmo que passe, me traga um pote bem grande de sorvete de flocos, e me deixe assistir meus romances sem sentido. Se você quer tanto assim que o tempo cure, me dê um relógio novo, pois quebrei o meu antigo. Mas não se esqueça de uma coisa, do meu amor, só eu sei.”